• Glauco Castro

E se as reuniões fossem assim...?


Já ouviu falar da série "Sintonia"? Retrata o ritmo do funk na quebrada paulistana, com um linguajar muito peculiar.

Em reuniões corporativas... reuniões de resultados... a linguagem formal nem sempre espelha o verdadeiro sentimento do chefe ao cobrar sua equipe quando as metas não são cumpridas. Pensei... como seria se a reunião da diretoria fizesse uso da linguagem das quebradas...

Em versão bem humorada, creio que seria mais ou menos assim...

Final de mês. Sala cheia. Resultado ruim. Começam as cobranças. Iniciam-se as explicações. Apresentações, caras assustadas, desvio de olhares.

- Salve quebrada!... Marcelo! – diz o CEO Dr. Cláudio ao Diretor comercial com tom firme e desafiador – mano, seu resultado tá deselegante, véi. Qual a fita, mano? Teus número tá caído! Pô, tá vendendo no 0800? Fala aí! Quero saber!? Assim vou te levar pras ideia, mano!

- Não, isso, não, chefia! Mó dificuldade aí de entrar na caminhada, chefe! Nossos cliente tá pagando mó pau pra concorrência, meu! Minha equipe de venda tá mó chinelão! Tão ramelando!

- Marcelo, tu tá parecendo fiote, mano. Reajusta os cara! Na humildade, num quero te causar, não! Mas você tem que tá na bala, irmão, tem que tá na bala!! Aqui é família, irmão. Se num tem pá um, num tem pá outro, tá ligado? Leva pras ideia, resolve o desacerto, meu, mas num me vem com esse papo, mano. Aqui é poucas ideia!

- E tu, Carlos!? Ta esperando o que pra dá a visão pra tua equipe? Se precisar, mano, liga nóis, mas se tu num fala, fica aí, meio pá, num rola, irmão. As coisa não cai do céu, ta ligado? Diz aí! Que tá pegando? Vai, agora dá uma de monstrão e fala, mano.

- Dr. Cláudio, colarinho branco, chefia... a concorrência tá filando meus clliente. Num são família não, chefe. Tão difamando a gente, irmão. Nossos serviço ficou pequeno, tá ligado? A margem caiu, nãum tamo conseguindo sê cabuloso, ta ligado? Tô achando que a caminhada tem que ser certa, papo tem que ser reto. Vamo vazá daquele lugar e ir pra outro, chefia. Ali dá mais não. Ali tá moiado!

- Dexa ver se to te entendendo, Carlos... Tu tá ramelando? TU TÁ RAMELANDO, IRMÃO? É ISSO? To te passando a visão e tu tá me desafiando, mano? Ce tá loco, irmão? Tá querendo me deixá no sufoco com os da Galáxia do corporativo, mano? Cê tá loco? Vou te dá a fita, irmão... tu vai voltar lá, vai vender, vai ganhar dinheiro, irmão! Tua unidade vai ser a melhor loja da nossa rede, irmão, da nossa família! E num me vem com gráfico, num vem na maldade que vai sobrar pro cê, irmão. Aqui é família, irmão. Num quero, mas se precisar vou te levar pras ideia, ta ligado? Vamo lá, agora solta a voz, quero ver.

- Podexá, xerifão, vô dá jeito, vô cuidá da comarca. Tem necessidade de leva pras ideia não. Vô metê o loco nos menino, descobrir onde tá a crocodilagem e se precisá, nóis fura os zóio deles, na boa. Nossa margem vai pras altura, chega de neguin desarvorado na família.

- Isso, mano, assim que é! Só que cê tem que tá na bala, Carlos. A concorrência tá cheia de loque, mano. Vai na sua que é certo o sucesso, mano. Se precisá liga nóis! E tem mais, se nóis tivé êxito, próximo mês tem pifão aqui na sede, isso aqui vai ser cemitério de ponta, mano. Então vamo ficá ligado na jogada, cada um cuidá do seu mocó que vai dá tudo certo. Dá uma fortalecida no pessoal do frango, deixa levá, fica de olho nos bruxo que ninguém vai precisá do alvará do Padre Chico.

E acabou a reunião!

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