• Glauco Castro

Lafargeholcim - Mais uma empresa que deixará o brasil

Atualizado: Set 22


A saída de nosso País deste líder mundial no setor, surpreende?


Durante dezoito anos trabalhei nesta empresa, iniciando como gestor em uma pequena central de concreto e concluindo meu ciclo como Head do Segmento, no final de 2019.

É verdadeira a indignação entre os atuais e ex-funcionários, posto que ambas as empresas (fundiram-se globalmente em 2015) sempre foram queridas por eles. Quem fez parte disso, entende o que digo. Foram inesquecíveis momentos e um aprendizado ímpar. No entanto, durante esses dezoito anos o tema “Brasil será vendido” era corriqueiro nos corredores da Holcim (na qual eu atuava, antes da fusão).

Enquanto o cimento era – e é – o carro chefe e mais lucrativo da empresa, o Concreto sempre sofreu e Agregados, após sua era de ouro, passou a amargar períodos de resultados pífios. A experiência de ter trabalhado nesta empresa proporcionou-me desenvolvimento e amizades feitas para sempre. No entanto, não me surpreendo com a notícia. E pode não ter ligação com a pandemia, pois a construção civil, por enquanto, vai bem, obrigado.

Movimentos de multinacionais abrindo e encerrando suas instalações em países são comuns. Diria até que é normal. Mas como costuma-se dizer, o nosso país "não é para amadores". E não é uma afirmação que me deixa orgulhoso. As empresas que estão encerrando suas atividades não são amadoras. E em sua maioria geridas por pessoas competentes. A gestão de nosso País é que precisa melhorar e muito. Não dá para a raposa cuidar do galinheiro. Não é possível deixar as chaves da cela com os que deveriam estar dentro dela.

Dá trabalho explicar para um estrangeiro como as coisas funcionam aqui. Não que sejam perfeitos lá fora. Longe disso. A questão é o quanto somos instáveis aqui dentro. Sem mencionar a corrupção. O tal “custo” e “risco” BR é complicado. Há décadas é assim. O mecanismo está consolidado independente de quem o opera. Empresas buscam rentabilidade. Se não conseguirmos melhorar nosso quintal, será difícil gerarmos empregos suficientes. Vamos em frente.

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